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Clubhouse: o que é e qual o potencial para o mercado de conteúdo?

Clubhouse: o que é e qual o potencial para o mercado de conteúdo?

Comunidade, entretenimento, voz e negócios: entenda porque está todo mundo enlouquecido com o app de conversas em áudio

 

Se você é um ser vivente e trabalha com digital, deve ter ouvido falar do Clubhouse, novo app que está fazendo com que 10 entre 10 pessoas do mercado estejam por aí caçando convites pra fazer parte da comunidade exclusiva da plataforma e, quem sabe, ter a chance de bater um papo com Mark Zuckerberg ou Elon Musk.

Se você ainda não está lá, uma dica: baixe o app (só pra iPhone), faça seu cadastro (pra garantir o username) e espere alguma pessoa amiga que já está lá te liberar. No meio tempo, pode deixar que a gente te explica o que acontece no app.

 

O que é o Clubhouse?

Podemos te dar a definição formal da wikipedia — "um aplicativo de rede social para bate-papo com áudio somente para convidados" — , ou podemos te contar que o Clubhouse pode ser o aplicativo perfeito, na hora perfeita, do jeito perfeito, para suprir a nossa fadiga de conversas e conteúdos mediados pela imagem. De todo mundo que tem usado o Clubhouse, a gente inclusive, a máxima é de que o app é tipo um fumódromo, aquele lugar onde você entra sem saber quem estará lá e acaba tendo conversas incríveis.

Ao entrar no app, você marca suas listas de interesses (por temas) e também faz aquele sync básico com sua lista de contatos de outras redes. Dessa forma, a "homepage" do aplicativo vai começar a te mostrar várias salas de bate-papo POR VOZ (sem imagem, sem caixa de comentário, sem like), cada uma falando de um tema.

Aqui você já tem a sensação de que tem algo diferente com essa rede social, porque ela não te apresenta um feed infinito com posts de pessoas ou empresas tentando se vender (ou te vender). Ou seja, não é sobre pessoas e seus egos. É sobre comunidades e temas de interesse.

A sensação que dá é que o aplicativo é como se fosse o maior evento do mundo que cobre TODOS os temas possíveis e cada "sala" é um debate legal do qual você pode fazer parte. 

Pra testar o formato, nós abrimos uma sala de conversa sobre Marketing de Influência e, em poucos minutos, já éramos mais de 100 pessoas discutindo e trocando sobre o tema. A sala se divide entre moderadores, speakers (quem está com permissão pra falar) e os ouvintes (que podem pedir a palavra se quiserem agregar algo). De um jeito bem despretensioso, conseguimos criar uma discussão com pessoas que talvez nunca conseguíssemos agrupar em um só um lugar e de um jeito tão… democrático. Ah, e o melhor de tudo é que quando nós aqui da YOUPIX tivemos que sair, simplesmente passamos a moderação para outros membros presentes e a discussão continuou firme e no ar durante horas, sem que nós precisássemos estar presentes. Ou seja, não é sobre alguém ser dono de algum assunto, é sobre o poder da comunidade.

Nesse momento, estamos viciadas e empolgadas com as possibilidades do app, mas também naquela sensação do meme "Vamos ver o que vem por aí, não dá pra saber ainda". Por isso, resolvemos perguntar pra profissionais do mercado o que eles acham que tem por trás do app e quais as oportunidades pra quem trabalha com conteúdo digital.

Pega a visão dessa turma aí embaixo:

 

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Conhecimento, Negócios, Entretenimento e Networking

"Pra mim é o cruzamento ideal entre podcast, festival e Orkut. O potencial do Clubhouse está em quatro pilares: Conhecimento, Negócios, Entretenimento e Networking. Conhecimento porque você pode entrar em qualquer sala e ouvir papos que seriam de difícil acesso ou aprofundamento em um só lugar. Networking porque eu posso estar em uma sala, levantar a mao, falar e conhecer pessoas que eu nunca conheceria. Negócios, porque você pode construir sua autoridade e produzindo em tempo real, não tem como se esconder. E Entretenimento, que é essa análise de pautas quentes em tempo real do entretenimento.

É um SXSW por áudio, onde você não tem limitação de temas. Esse é o grande trunfo da plataforma. E se você não se identificar com nenhum tema, você abre a sua sala do seu tema. O Clubhouse tem uma capacidade de criar comunidades, como o Orkut, só que com voz ativa pra mais pessoas. Quando a gente achava que não tinha mais nenhuma rede social e que elas eram apenas pra postar, postar, postar, a gente vê que existe um grande potencial de aquisição de conhecimento."

 


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Áudio, a próxima fronteira do conteúdo

"O surgimento do ClubHouse mostra para nós que a próxima fronteira de conteúdo realmente é o áudio, como disse Gary Vee em 2017. Já sabemos que os celulares nos escutam e que isso alimenta uma indústria gigantesca e extremamente rentável dos anúncios para as plataformas. O que vai acontecer agora é que a desculpa de 'não estou bem arrumada para gravar um vídeo' cai por terra, fazendo com que as pessoas tenham cada vez menos barreiras para compartilhar o seu conhecimento e assim transformar a sua bagagem de vida em dinheiro.

Olhando do lado técnico, nós temos a evolução analítica das ondas de áudio, onde os assistentes de voz começam a entender não somente as palavras mas a velocidade, o ritmo, a intonação e — logicamente — o seu estado de espírito, o seu humor. Vamos ver o BPM e o db, se tornarem métricas! E por que isso é importante? Simplesmente porque sabendo o que você pesquisa, quais os seus gostos pessoais — já pelos meios atuais — eu consigo, durante o seu momento de navegação, com o seu “mood” do momento, entregar para você um anúncio mais atraente, mais rentável, e muito mais relevante, de acordo com o seu último áudio gravado. O Clubhouse é só o início de um universo inteiro de ações e estratégias de áudio e voice search que estão por vir. Podem me cobrar, mas em áudio por favor."

 


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 Chat do UOL com rádio com Elon Musk

"Na tecnologia, o áudio sempre foi um sentido meio esquecido. As telas, fotos, videos, GIFs e qualquer coisa que brilhava chamavam mais atenção e estavam sempre nos folhetos e apresentações dos fabricantes e produtores em geral. Mas a audição sendo talvez o único sentido que a gente não consegue “desligar” estava ali só esperando sua vez de aparecer e foi exatamente o que aconteceu com a invenção do iPod, iTunes, Spotify e agora com o Clubhouse. O áudio é único tipo de conteúdo que você consome fazendo outra coisa. Não dá para pedalar e ler um livro, lavar louça jogando Fortnite ou dirigir vendo uma série da Netflix (ou assim espero que não faças). Mas dá para fazer tudo isso ouvindo um áudio, seja ele qual for. O sucesso recente do Clubhouse, e o fato de estarmos no #AnoDoPodcastNoBrasil há uns 10 anos, vem desse encontro da tecnologia finalmente focar no áudio, essa tecnologia estar no bolso de todo mundo e que não há nada mais primal do que sentar em volta de uma fogueira contando e ouvindo histórias (troco minha fogueira por uma mesa de bar e duas doses de vacina, por favor e obrigado!).

O Clubhouse acertou na mosca o timming de te dar uma ferramenta que você consegue entrar em uma roda de conversa com pessoas legais, falando só do que você tá a fim de falar e você ainda tem chance de participar da conversa. É chat do UOL com podcast com rádio do interior e o Elon Musk tudo junto! Então, a questão agora para a gente que cria e pensa conteúdo é: com nossas histórias acompanhando todo mundo a toda hora, usando a audição — um sentido da audiência super forte — e com a possibilidade de co-criação do conteúdo, o que nós vamos fazer com isso? Que histórias vamos contar? Como vamos ouvir outras histórias e integrar quem tá ouvindo as nossas? E o mais importante, o que eu tenho para dizer direto no ouvido das pessoas? Eu ainda tô tentando descobrir, mas se você souber, me manda a sala do Clubhouse que você vai estar que quero saber de tudo!"

 


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De volta para uma internet de comunidades

"FOMO ou o 'medo de ficar de fora', pode ter sido a minha primeira percepção em relação ao ClubHouse. Mas a verdade é que tudo que é novo faz isso com a gente, ainda mais quando vem numa lógica exclusividade, “apenas para convidados”. Quando olho para as últimas 24 horas, percebo que ouvi, discuti, aprendi e tive uma explosão mental com ideias e novas perspectivas como há muito tempo não acontecia por enxergar nessa nova plataforma o que há de mais valioso em sua engenharia e essência: a dinâmica de rede focada em construção de comunidade.

A conversa desenfreada e a possibilidade de jogar um pensamento que tá só aqui na minha cabeça e ter instantaneamente um feedback ou algo que me complemente transformando aquilo que parecia pequeno, numa grande ideia. Acho, verdadeiramente, que em poucos meses, teremos um grande hub de conexão REAL e genuína sobre todos os temas possíveis e imagináveis. Para além da inovação/tecnologia/marketing que, por hora, é o que está ganhando espaço entre os brasileiros por lá. Sem contar nas várias possibilidades de monetização que já estão começando a surgir ali".

 


 

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Como as marcas vão fazer parte disso?

“Minhas primeiras impressões sobre o ClubHouse: um podcast ao vivo, em que a gente pode levantar a mão, entrar na conversa e participar. Por um lado, destaco um novo formato de construção de conteúdos e conexão com a comunidade, que pode abrir caminho para inúmeras possibilidades, para marcas, creators, ouvintes e MODERADORES (um novo papel que surge e que é fundamental para organizar a conversa e os speakers nas salas e clubes).

Ao contrário da sensação que sinto às vezes ao navegar em outras plataformas, de que não estou investindo da melhor forma o meu tempo, eu senti uma sensação diferente: de que eu estava aprendendo muito a cada minuto que passava escutando as salas dos assuntos do meu interesse (ainda muito nichadas e direcionadas para a bolha de marketing e tecnologia). Misturando lógica de várias plataformas antecessores, o ClubHouse, ao meu ver, pode vir a se consolidar e me pareceu viciante, em um primeiro momento. Claro que as limitações desde início ainda não nos permitem ver -de fato — como a plataforma vai funcionar e como as pessoas irão utilizá-la. Mas já começam a surgir várias discussões sobre as possibilidades de monetização e uso da ferramenta e o que me intriga é sobre como as marcas irão explorá-la: vão criar seus clubes? Patrocinar salas? Não sei! Mas já reservem seus @’s e comecem a pensar a respeito”.

 


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Uma bolha que não deixa históricos

"Uma mistura de Ted Talk em formato de podcast com as comunidades do Orkut e uma pitada de mesa de bar — porém, uma mesa ainda bem elitizada quando falamos de Brasil. Ou seja, um lugar onde você pode achar mil monólogos interessantes, até fazer parte de alguns deles e consumir infinitamente conteúdo de nichos que te interessem. O foco é mais nas conexões que o app pode trazer pra você do que em número de seguidores. Pelo meu mergulho ainda bem recente nessas águas, acredito que os especialistas e criadores se encontrarão por aqui e torço para que essa imersão na bolha da bolha, não nos afaste demais da superfície, do poder de ouvir, ver e acessar o diferente, mas sim, que a gente ganhe em profundidade nas temáticas".

 


 

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  Uma rede sem FOMO

"Do ponto de vista de produção de conteúdo e jornalismo, é uma proposta interessante: colocar as pessoas para debater um mesmo assunto de forma mais aprofundada e sem distrações. Como não dá para participar de vários canais ao mesmo tempo, é uma solução para que as pessoas não sejam tão bombardeadas de informação por todos os lados. É preciso estar ali, no momento, prestando atenção para interagir. Uma proposta de produção e consumo de conteúdo que exige atenção plena de todos os participantes.

Meus questionamentos são: será que teremos tempo para isso? Será que justamente por ter informação mais especializada, teremos mais interesse? É definitivamente um canal interessante de diálogo, de construção de conhecimento. Isso, por si só, já é bastante valioso nos dias de hoje. Estou curioso para saber para onde irá em termos de adoção do público e o quanto poderemos, inclusive, levar essas interações em áudio para assistentes de voz como Google e Alexa. Será?!"

 

E você? Já tá no Clubhouse? O que tá achando do potencial do app pro nosso mercado? Deixa aí nos comentários. :)

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